sexta-feira, 19 de maio de 2017

Cultura da honra, cultura da dignidade, cultura da vitimização



Pela volta do conceito de honra

Aprendeu a desconfiar desde jovem daqueles que pretendiam ter o monopólio da posição de "vítimas". Que década complicada na latino-américa, pois o vitimismo tomara o poder, com suas denúncias, deputados recorrendo o país com o esqueleto de Jango em comícios e outras estranhas formas de dar voz política ao "eu sofro" como análogo narcisista. o "eu sofro" como commodity, minha dor um Palmolive....Não é apenas que eu sofra, é “que olhem o TAMANHO da minha dor!” Ai que saudades daquele tempo em que política não era pra vítimas, nem denuncismos, mas era o tempo pra "honra", ou pelo menos pra "dignidade"! Lembram? lembram de Brizola na sacada do Piratini com uma metralhadora dizendo que não passarão? Não esse bando de macacões de fábricas borrados nos bancos frios da chefatura de Pinhais....Sindicalistas materialistas, blegues, que década infeliz e sem honra!
O século que agora inicia vem com essa cultura da vitimização (conceito de Campbell e Manning). O bom de denunciar é que é um ato de purificação. Não apenas meu objeto fica coberto de monopólio dos impulsos agressivos, é que me purifico, fico eu o denunciante distituido de qualquer propósito agressivo. Se o inferno são os outros, é quase análogo de eu sou um céu.
E por esse processo de canonização das vítimas, temos índios quase como categorias sacralizadas. Esse funcionamento de categorias é infenso ao conceito de pós modernidade de simultaneidades: um índio injustiçado bem pode ser pedófilo, um negro pode ser ávaro, ou ter mal hálito,  um homosexual pode ser de direita, um idoso pode ser um Pinochet e ter matado centenas de milhares, uma criança pode ser cruel, um ciclista pode desobedecer as normas do trânsito. Mas na cultura da sacrilização das minorias, isso não se imagina, pois não apenas o denunciador vitimizado tem o monopólio do sofrimento, como ainda é uma categoria absoluta, como Cristo. Ou alguém imagina Cristo com mal hálito, ou desobedecendo uma regra de trânsito da Galiléia?
Outro dia entrei em um onibus de uma empresa pública da prefeitura de Porto Alegre: não havia bancos para as pessoas. Todos os bancos eram reservados para as mais de centenas de categorias de vítimas, que inclusive, muitas não pagavam. Acontece que uma empresa em que ninguém pague pela passagem é economicamente inviável. E procurando bem, qualquer um é vítima em algum quesito. O empoderamento de todos os denuncismos fez essa sociedade uma coisa inviável. Exatamente como dizia Mao: se cada chinês for ter uma automóvel, o que é justo, tornaria a cidade chinesa algo impossível. Hoje todos temos ar condicionado, o que inviabiliza o planeta, ainda que seja absolutamente justo. O direito pra todos é correto, apenas inviável. 


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O Estado é um fim em si mesmo e portanto não tem sentido



O Estado Brasileiro, em particular o atual, mas qualquer outro, não tem qualquer sentido. Na esfera estadual, municipal ou federal, o Estado é um fim em si mesmo. Não nos aporta qualquer ganho, não muda nada, mantém as bases de um país injusto, não social e de má distribuição. A função do Estado é fechada em si mesma, ele serve para se manter a si.



O discurso político, qualquer um, esta á serviço de nos fazer acreditar que o Estado tem uma função. Por isso que o discurso, o marketing político é tão importante e caro no nosso meio: o discurso político, qualquer que seja o discurso, tem a finalidade final de nos fazer seguindo pagando impostos. De esquerda ou de direita, o único sentido da política em nosso meio é a manutenção da ilusão entre os contribuintes de que faz sentido o Estado. Um discurso inflamado e com “causa” é muito melhor, pois convence as pessoas que existe um “projeto”.



Contudo esse projeto não acontece. Nesse sentido Lula foi um grande avanço para nossa experiência nacional: nem um sujeito cheio de boas intenções e com um “compromisso” com os pobres fez qualquer coisa nova e de real mudança. Muito antes pelo contrário: reavivando o drama inflacionário, contribuiu para o empobrecimento dos pobres e para o lucro de 13% apenas em 2015 do Bradesco. Abandonou a reforma agrária, desindustrializou a nação e nada mudou em saúde e educação, nem em transportes público.



E isso não aconteceu pois o Lulopetismo era um fraude: isso aconteceu pois o Estado nada pode mudar da realidade socioeconômica nacional. A triste experiência Lulista nos mostrou que é ilusão progresso via estatal.



De momento Dilma tem uma cruzada de aumentar impostos, via CPMF. Mas e na década anterior, quando os dinheiros abundavam, nada foi feito via estatal. Qual o ganho que o contribuinte pode almejar pagando mais dinheiro para um Estado que já nada fez quando tinha dinheiro de commodities sobrando? Vamos dar mais dinheiro para um taxista perdido que não sabe para onde vamos?



O Estado nacional não é solução, é antes o problema. Estamos sem Estado de fato, agora seria preciso assumir isso também de direito, com sonegação de impostos. O sentido de pagar impostos no país é manter uma casta estatal bem servida que não traz qualquer contribuição afora para si mesma. E estamos falando de um máquina que retira quase metade do nosso esforço produtivo para si e nada devolve em troca.



Passa por mim um caminhão de lixo com adesivos desgastados: “cidade legal, eu curto, eu cuido”. Não diz o adesivo nada sobre o roubo da licitação do referido caminhão. É um discurso desgastado pois a administração municipal esta em fim de mandato, acaba logo. Já não precisamos mais do discurso confunsional para parecer que existe um projeto político.



A política nesse sentido é exatamente igual a religião: nos leva a crer na realidade de algo que não existe, seja o além, seja um projeto de melhoria, para arrecadar nosso dinheiro, seja via dízimo, seja via impostos. O único sentido da política é ninguém perceber que o Estado não nos serve de nada, serve somente para si, e nos custa uma fortuna.



Portanto, o fim dessa relação sem sentido com essa casta é o único sentido de uma reforma política do interesse do contribuinte, não do político. Menos representação, menor número de políticos, menos estado, privatização. Qualquer reforma política libertadora, nesta perspectiva, é um reforma liberal, anarquista. Mais participação direta, recall de políticos que não tenhamos mais confiança no meio do mandato. Sobretudo não podemos mais confiar na via da política para mudar nossas vidas e nosso país injustos. Tentamos isso com Lula e nada mudou, salvo o matiz do discurso. Bem, e o Triplex do Guarujá. O fim da CPMF, que já foi tentada e nada aportou para saúde, junto com uma diminuição expressiva da carga tributária e de metade do tamanho do Estado. Isso foi o que aprendemos desses anos 13 de desilusão petistas: quem defende esse protocolo na próxima eleição terá meu voto.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

O operário e a guerrilheira como seres míticos imaginário e um tanto idealizados

A esquerda tem duas características tipicamente religiosas: ela idealiza o frágil, o fraco, como um ser  central de sua preocupação e coloca nele uma pureza e bondade a priori, apenas pois ele é frágil. Durante décadas a esquerda tinha dois seres destes idealizados, o camponês e o proletário. Foice e martelo é apenas um signo desta atenção para estes dois personagens. O proletário não apenas seria uma vítima de um sistema de exploração: ele seria ingênuo, bom, um ser quase "religioso', como estes santos da igreja católica. Seria bom porque vítima: mas nem apenas por ser vítima a pessoa precisa ser "boa"!
Uma década com esse "proletário" idealizado na presidência da república foi o que bastou para nosso personagem se mostrar bem outro: no lugar de ingênuo, um tramposo de marca, ladrãozinho quase batedor de carteira. No lugar de sem voz, um macunaima, acostumado a usar o papel de vítima para praticar a exploração. O sujeito "bom" por que vítima na verdade nem era bem vítima, nem era bem bom. O que a esquerda não esperava é que dentro de toda vítima também vive um algoz, que o explorado, também pode ser tão malvado como o explorador. 
Cansados de seu tipo mítico preferido, passaram então a outro personagem mítico preferido: a economista ex-guerrilheira, protótipo acabado, até nos óculos grossos de acetato, da esquerdista intelectual. Daí foi pior. O descalabro da economia com ela foi tanto, que só chamando um executivo do Bradesco dos mais capitalistas possíveis para corrigir o horror. Arrogante, prepotente e dona da verdade, ela esta com 7% de popularidade, e caindo. Suas teses de um estado provedor arruinaram o país e trouxeram a hiperinflação de volta. Sua relação com o dinheiro público para se perpetuar no poder, trouxeram o fantasma do stalinismo antidemocrático para a puata, que é como costuma terminar todo essa aventura religiosa de esquerda. 
A esquerda precisa de outros seres míticos pra vender: a bugre religiosa, O BBB filosofo, o carioca da sunga de crochet, sei lá. Qualquer coisa anti-PSDB, que representa justamente o que não pode ser: paulista, branco, de camisa azul e supremos horror, homem. Ou tem alguma "desvalia", ou "injustiça no passado" ou decididamente não nos representa. Imagino um conto do sujeito que vai num ônibus da Carris e não encontra qualquer assento para pessoas ordinárias, todos são para "prejudicados sociais". Daí ele vai na fila do Zaffari e já não tem nenhum caixa para ele passar com seu paozinho, pois todos são pra entrevados, zarolhos, pessoas com pau pequeno e outras desvantagens. Uma sociedade tão justa que já não tem lugar para ele: onde as minorias são maioria, um terror do politicamente correto. Sai do supermercado com fome, desolado, perseguido. 

domingo, 14 de dezembro de 2014

A Reforma Política de Bill Gates



    Existe uma reação usual das pessoas quando se sugere uma melhoria qualquer do sistema político, que é a idéia de que isso não será possível. Curiosamente os avanços de informática e de rede permitiriam novos e esplêndidos modelos de mais participação direta e menos sistema representativo, mas estamos como que presos ao método eleitoral do século XVIII, o do papel na urna. Uma reforma política no Brasil será tanto melhor quanto mais diminuir a força da representação em favor de maior participação direta. E a informática permite grande avanço nesse sentido.
    Mas se alinhavar ideias tecnologicamente simples de recall e de eleições constantes a todo momento é, para muitos, um exercício delirante de bar, devemos pensar que Bill Gattes teria muita facilidade técnica de implementar uma democracia muito melhor no Brasil. E o que Bill Gates poderia fazer pelo modelo eleitoral para desintoxica-lo dos vícios atuais?
    Uma reforma política progressista no Brasil tem que endereçar o patrimonialismo, a influência exagerada do capital sobre o poder político e o exagero de poder sem mais satisfação do modelo representativo.
    Antes de mais nada um judiciário desaparelhado, seja o STF ou o TSE. Com o Toffoli, sem transparência, autonomia, não há eleição de confiança. Todos os atores políticos fiscalizando o processo, pois o Estado sendo o fiscal já vimos que é perigoso. Quem vai tomar conta do PC do TSE é um primeiro e não pequeno ponto dessa reforma.
    Um aspecto simples de implementar é o recall de voto emprestado. Junto com eleição constante, teríamos um controle muito mais preciso do eleitor sobre o seu deputado ou mesmo governador, prefeito, presidente. Para deputados seria mais simples. Caixas eletrônicos nas sedes dos distritos eleitorais estariam constantemente disponível e a todo momento seria possível tirar o voto dado para um sujeito e passa-lo para outro sujeito.
    O sigilo/confiabilidade é tão simples de manter como nossa senha em caixa automático de tirar dinheiro. Com um titulo eleitoral magnético e uma senha podemos diariamente mudar o cenário político, conforme nosso gosto com o que o representante esta fazendo.
    Deputados estariam constantemente caindo e subindo, sempre que não fossem votar como seus eleitores desejem. Não haveria mais eleição geral, num momento único, e sim uma eleição constante.
    Isso nos livraria das “campanhas”, essa entidade que favorece tanto o marketing e desfavorece o debate das idéias. As campanhas seriam proibidas, em favor de mais razão e menos emoção. Cada político teria um curriculum lattes obrigatório com toda sua ficha: haveria quesitos criminais, processos, como votou em cada tema, quem fez donativos pra esse deputado. Todo o modelo iria priorizar mais o curriculum, o que fez no passado, do que diz que faria no futuro. O voto nesse político só seria possível depois que o eleitor lesse todo seu curriculum, o PC não deixaria votar sem uma leitura de mais de duas horas do lattes do candidato.
    Num modelo mais avançado poderíamos estar constantemente votando cada tema: código florestal, lei da responsabilidade fiscal. Um método participativo, mesmo de PC domésticos, não é uma aberração tecnológica delirante. Basta ser seguro, como já é uma compra na Amazon, por exemplo.
    SE não tivesse participação direta, pelo menos indireta, com mais consulta do gosto dos eleitores. Os deputados iriam ser obrigados a fazer enquetes com seus eleitores de todos os grandes temas que irão votar. Essa enquete é consultiva, mas ele pode perder seu mandato distrital caso desagrade seu curral eleitoral. Enquete simples de fazer via facebook, ou algum método mais confiável.
    Uma outra ideia seria votar em qualquer pessoa, não haveriam “candidatos”, sendo que todo mundo pode ser votado. Um conjunto maior de votos em uma pessoa lembrada e ela seria perguntada se aceitaria seus votos. Reeleição jamais. 
    Como pessoas que votam errado são um fenômeno ruim para a democracia, seria interessante diminuir sua influência: caso o candidato que você votou for processado e condenado por improbidade, você eleitor fica dois anos proibido de votar, como uma forma de punição.
    Reformas desse tipo são tecnicamente possíveis e podem melhorar nossa relação com a política, diminuído a influência do marketing sobre as eleições. Uma segunda frente de mudanças que precisam ser implementadas  é mais no sentido de mais rigor nas punições dos políticos corruptos.
    Uma lei importante nesse sentido é que o juiz do STF que julgue um político por improbidade será sempre escolhido pelo partido adversário. Um juiz apenas, um conjunto de deputados de júri? Uma reforma política sem reformar quem escolhe os juízes do STF e do TSE não seria efetiva: é importante mudar também esse perigoso modelo atual de 10 em 12 juízes do STF serem indicados por um partido apenas. O político preso por improbidade só começaria a contar seu tempo de pena após devolver todo o dinheiro desviado. 
    Por fim, e algo não diretamente correlato, seria como endereçar o patrimonialismo que tanto vigarista atrai para a política. O estado precisa ser menos político e todo ele mais técnico. Todo o SUS, ou o sistema de educação precisariam ser profissionais, não coordenado por políticos. Diminuir o tamanho da influência e do poder dos políticos é algo que pode impactar para melhor nosso modelo de democracia.


domingo, 16 de novembro de 2014

Todo dinheiro vem do sol e só salvamos o planeta proibindo o acúmulo de dinheiro


 
Como representação que é, o dinheiro não se pretende uma realidade em si, é antes metáfora de riqueza. Como sabemos por Marx, riqueza é sempre um derivado do trabalho, ou da natureza: riqueza acumulada pela propriedade de um meio de produção, de um conjunto de esforços, da pesca. Quem fez dinheiro com a soja, com seu trabalho de médico, com a exploração do trabalho escravo nas Antilhas, com a venda de pau Brasil ou mogno na Europa, fez sempre seu dinheiro partindo do meio natural, ou do trabalho.

         E neste sentido, o dinheiro representa energia: quando vindo do trabalho, a derivada de um estudo, de um trabalho braçal. Quando vindo do meio natural (pesca, extrativismo, soja), a energia do sol, em última instância. E mesmo a energia do trabalho e do conhecimento deriva dos alimentos, que também traz sua energia acumulada do sol.

         Está certo resumir portanto que todo dinheiro é energia do sol representada: seja pelo trabalho, seja por representar o meio natural, o dinheiro é acúmulo de natureza, uma apropriação do mundo natural que se armazena. O sol é um quanto de sol apropriado, um cercamento de um quanto de energia do qual sinto que possa me apropriar. E guardar, e legar, mesmo que não vá usar diretamente comigo esse tanto.

         O presente colapso climático e ecológico é uma ameaça a sobrevivência e tem suas raízes no modelo de consumo de supérfluos e de uma produção muito sofisticada, voltada para conjuntos grandes de consumidores enriquecidos. O exagero de uso dos meios naturais, além do uso que seria necessário apenas para uma sobrevivência frugal, apenas para atender nossas necessidades básicas, explica a eminente derrocada da vida na terra.

         Apenas extinguindo o conceito de dinheiro será possível brecar o colapso climático. Por ser possível um único indivíduo acumular mais energia e meio natural que consiga usar para atender suas necessidades básicas, o dinheiro é uma imoralidade climática, uma impossibilidade ecológica. Não é sustentável em uma sociedade ameaçada de extinção. Também não é justo que essa extinção decorra da vontade esganada de alguns dos seus membros de se apropriarem de mais insumos naturais e energéticos que possa consumir pra si. O aquecimento global é uma decorrência da vontade de viver nababescamente dos ricos, e dos próximos dos ricos. Estes indivíduos acumuladores de energia devem ser desestimulados a seguirem acumulando mais natureza que o planeta possa produzir, pois seus maus hábitos (ter um carro de mais 100 mil reais) podem significar o fim de todos nós.

Legalizar as drogas?

Legalizar as drogas?

Uma sra que não conheço milita no twitter pela legalização das drogas. O que ela pensa, como argumenta é possível de ser visto nos diálogos abaixo, recorta e cola do twitter. A conta twitter @fmfx (Flávio Xavier) é a minha. O twitter que atende pelo nome de Lucélia é dessa senhora, que tem os seguintes argumentos para legalizar a droga no país. Esse diálogo tem frases curtas por imposição do twitter. É um diálogo felizmente inacabado e não foi mantido para ser lido publicamente. Mas achei que poderia interessar a mais pessoas.


Lucélia Já pensou que a sua moral pode não se aplicar à outras pessoas? Ou falamos cientificamente ou não falamos...

@FMFX e meu problema com o descerebrado que faz racha obviamente não é com ele (moral), é egoistamente comigo (ser atropelado)

Lucelia Sinceramente não entendo seus argumentos: "descerebrado que faz racha"??? O problema daí não é o racha? Isso não tem nada com a moral.

@FMFX argumento: teu livre direito de dirigir à 170 km/h esbarra no meu direito de não ser atropelado: tua liberdade ( de cheirar)

@FMFX não é exatamente uma questão só tua, se tu -por exemplo no trânsito- atropela todos num bar de calçada

@FMFX pois o teu cocainomano assalta, mata, rouba carro, financia o STF. Ele não é glamuroso e um problema pra si, apenas.


Lucelia Vc tem que entender que a grande maioria das pessoas que usam drogas lícitas ou ilícitas não se torna um dependente problemático.

@FMFX vc precisa entender que todo aquele que é um problemático, entrou no labirinto pela porta do uso recreativo, não tem outra

@FMFX nosso tema tem um enfoque jurídico: legalizar uso de rojão em boates pois na imensa maioria dos casos nada grave acontece

@FMFX se tu pegar um tambor de 6 vagas para bala e só uma tiver uma bala, o risco de um dano grave da roleta russa não passa de 16%

@FMFX a prática de roleta russa, por terminar em 85% das vezes bem, deve ser legal e indicada nas escolas, inclusive para tua filha?

Lucelia Deputado (@OsmarTerra), nem todo mundo que usa se transforma em um transtornado. Impedir o uso é moralismo.

Lucelia Então, vamos proibir tudo que resolvemos o problema???

@FMFX proibir não resolve nada de fato. Mas liberar, "resolve"?

Lucelia: Regular resolve, não liberar. Regular, educar e tratar dos dependentes resolve.

@FMFX nesta república das boas idéias e de qualquer ação, temos regulação de aviação, telefonia, remédios: com o PT, nada funcionou

Lucelia Já pensou que a sua moral pode não se aplicar à outras pessoas? Ou falamos cientificamente ou não falamos...

@FMFX sua "ciencia", é uma certa ciência, a das estatística: seu filho drogado é para outro ramo da ciência, a medicina

Lucelia Vc tem que entender que a grande maioria das pessoas que usam drogas lícitas ou ilícitas não se torna um dependente problemático.

Lucelia minha filha, isto é uma platitude. O nosso ponto é, legalizar?


@FMFX vc precisa entender que todo aquele que é um problemático, entrou no labirinto pela porta do uso recreativo, não tem outra


@FMFX nosso tema tem um enfoque jurídico: legalizar uso de rojão em boates pois na imensa maioria dos casos nada grave acontece


Lucelia sem pensar nas consequências nefastas da proibição. Mais nefastas que o próprio uso das drogas.


Lucelia Pois está entendido. Vc não respeita a liberdade das pessoas. Prefere proibir os comportamentos que vc acha danoso, sem pensar...

Lucelia Flávio,quando eu digo que nem todo usuário se torna um transtornado, estou falando de menos de 20%. E o álcool?

@FMFX tu tem muito sentimento por percentual. Droga é doença, doença de individuos, unitários, tragédia, como a Kiss

Lucelia Flávio, vc é muito alarmista e moralista. Toda a sociedade usa drogas. Conforme-se

@FMFXconformar-se é diferente de chancelar juridicamente: entendo que jovens façam racha, mas "legalizar" o racha é diferente

Lucelia Vc fica comparando o uso de drogas com outras atitudes muito mais abstratamente e concretamente perigosas. Vamos falar sobre drogas?

Lucelia Saiba que existem milhares de usuários de drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas, que vivem suas vidas normalmente, sem estorvar,

@FMFX mas o fazem com liberdade de escolha, justamente esta liberdade que a droga vai tirando dela

Lucelia Quando digo que vc é um moralista é porque vc não vê a possibilidade das pessoas usarem drogas sem se tornarem seres problemáticos.

@FMFX ah, neste sentido. Mas falar de mudar uma lei é sempre uma discussão indesejavelmente moral, não?

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Qual a moral da maconha?

 QUAL A MORAL DA MACONHA?


Os estupros no Brasil cresceram 18% no ano de 2012 (http://www.revistaforum.com.br/blog/2013/11/casos-de-estupros-crescem-18-no-pais/ ). Na Índia também, o que é intrigante (http://www.alem-mar.org/noticias/EFVlukFyuyaxEycDSL.html ) dada as diferenças entre os dois países, e também dadas as semelhanças. Sociedades que mudam de rurais pra urbanas muito rapidamente, que abandonam o seu passado moral para uma nova moral mais do consumo e do prazer sem consequências, mais egoísta? O enriquecimento dos emergentes tem conexão com essa imoralidade? De qualquer forma, não acredito que ninguém tenha dificuldades de concordar que o interdito ao estupro é um interdito “moral”.
O fato de o estupro estar sendo mal reprimido pelas forças jurídico/policias, contudo, não leva ninguém a pedir a sua “legalização”. Na discussão da “legalização” da droga muito se fala que deve ser liberada pois a guerra ao tráfico falhou. Mas a guerra a violência sexual também falhou, e felizmente ninguém pensa em afrouxar a legislação sobre o tema.
O argumento de ineficiência da guerra tem que ser melhor visto. Países desenvolvidos gastam fortunas e Nova York tem uma política de sucesso na diminuição do consumo de crack. (http://veja.abril.com.br/noticia/saude/nova-york-tambem-teve-sua-cracolandia-e-conseguiu-acabar-com-ela ). É baseada muito na repressão e na polícia, ainda que não só, o que poderia explicar seu sucesso. No Brasil a política de combate de drogas é um fiasco, como de resto qualquer política pública, todas elas. Então não vale como argumento, temos um estado charlatão: o que ele se propõe a fazer, faz mais marketing que ação, e faz mal o que for: cadeias, hospitais, políticas de saúde mental antigas ou alternativas, albergues para mendigos. Aqui é o que li outro dia como o fim do estado no imperativo do marketing.
Mas o ponto nem é quais políticas públicas são eficientes, qual estado vai melhor no combate da epidemia de crack, ou de que droga for. O ponto é que não existe legislação, seja permitindo, seja criminalizando, que não tenha antes um juízo moral. Legalizar é decorrente de um juízo moral e criminalizar é decorrente de um juízo moral. Exatamente como no caso do estupro, do aborto. E de uma moral média, obviamente que não de uma moral de cada um. Caso contrário, se eu tenho um apetite sexual um pouco maior, minha moral me permitiria, pelo óbvio, avanços maiores sobre o corpo dos outros, “pois eu tenho minha moral sobre o tema do sexo”.
Médicos não são chamados a legislar. A medicina pode informar sobre o malefício do colesterol e sobre os números de epidemia da obesidade infantil, mas não deve e não lhe toca propor uma lei que proíba alimentos gordurosos ou doces nas cantinas escolares. Obviamente que um endocrinologista infantil não vai falar no Jornal do Almoço bem de legalizar o “baiconzitos” na cantina do colégio Anchieta. A sociedade, e não os médicos,  é que deve se entender sobre o tema.
Mas claro que a saúde é um tema moral, não de um higenismo regulador dos médicos, perseguindo fumantes ou obesos. Mas viver mais é uma coisa boa, e morrer alcoolista é uma coisa moralmente ruim. O que os legalizacionistas estão propondo é uma discussão jurídica sem passar pela discussão prévia moral. Pelo fato de a moral ser obviamente pessoal, é como se cada um faça o que bem entender. Esse “liberalismo” esta a serviço de não discutir as seguintes perguntas éticas: “fumar maconha é bom?”. “Até onde consigo ser recreativo sem me tornar dependente?” “Me tornar um dependente químico é certo/bom para comigo?” “Devo correr riscos de dependência, que é um risco evitável se eu não fizer uso recreativo?” “O prazer é uma verdade em si mesma, independente das consequências de transar sem camisinha?” “Fodam-se as consequências?”.
E a discussão moral de usar drogas é um tema de difícil abordagem, em especial pois a moral é diferente conforme o usuário seja recreativo, conforme seja dependente. Na verdade, o sentido moral de um baseado, é mesmo o oposto na mão de um usuário recreativo do que na mão de um usuário dependente. Um mesmo copo de cerveja é uma arma para o segundo, e uma bela diversão para o primeiro. Mesmo um vídeo-game, na mão de um usuário dependente é um problema, e não existe qualquer legislação que proíba o uso de video-games.
Aí reside a grande confusão moral do tema: para um recreativo, a droga é uma liberdade e uma opção. Seus valores morais sobre liberdade e diversão são muito prós. Também a sociedade mais moderna é muito favorável tanto a liberdade quanto ao prazer. Eu diria que um pouco favorável demais ao prazer, uma sociedade inebriada e que cultua o prazer como a única verdade. Mas favorável.
Já o dependente químico o que perde, como o nome está dizendo, é a liberdade. A doença é justamente a perda da liberdade. Não acho que muitas pessoas estão dispostas a achar moralmente certo a doença da drogadição: ela costuma nos causar estarrecimento e horror. Acho que a maioria das pessoas está disposta a ser firme com um dependente no sentido de não ter acesso a droga, inclusive a vítima. Vi um sujeito que vive fazem 4 anos em uma fazenda religiosa, ele tem 60 anos e veio me pedir um atestado de incapacidade permanente. Ele me contou sua vida: nem eu, nem eles temos dúvida de que ele tem uma incapacidade permanente com sua liberdade de ir e vir. A história do sujeito morto no parlamento do Canadá outro dia repete novamente essa dificuldade que é a liberdade para um dependente pesado.  
O ponto complicado de legislar sobre droga é que o primeiro sujeito, o estudante de humanas com suas certezas denuncistas sobre a falência do modelo de repressão às drogas e que fuma no final do dia um baseado, e o segundo senhor de 60 anos não são o mesmo sujeito. Ou pelo menos 40 anos os separam, se forem o mesmo, mas concordo que não são. Portanto a repressão e o paternalismo jurídico é um absurdo com nosso jovem, e uma necessidade com nosso velho.
Deve a legislação universalizar os cuidados para quem precisa e para quem não precisa, de forma igual? Um primeiro ponto é que o jovem não se transformaria no velho se fosse um não usuário. Mas e todos que usam recreativamente e não ficam dependentes? No caso da maconha, 80% dos usuários diários de um baseado não são dependentes da droga. Mas 20% o são. E sair dessa dependência é uma coisa muito penosa e de pouca chance de êxito. Como num labirinto, é muito fácil e depende do livre arbítrio entrar, mas não sair.
Acredito que a legislação, portanto a discussão moral que antecede a decisão de legalizar ou criminalizar, deve se ater no dependente. O estado não tem que ter leis para o usuário recreativo. Para o dependente a proibição é o certo, já que ele por ele, não consegue parar e, como já vi, morre. Quando formos falar em moral do uso de drogas, temos que falar do uso dos dependentes apenas. A lei será para eles, que nem são tão poucos: um percentual de 10% dos homens são alcoolistas. E nesse setting da dependência a repressão e proibição é o moralmente mais correto. Uma grade na janela para uma pessoa que não pensa em se jogar pela janela é uma coisa indiferente. Para um suicida, salva sua vida. Não consigo imaginar, se tenho um parente/paciente com risco de suicídio, o “liberalismo” de um quarto sem grades, em que ele “escolha” o que deseja fazer.  Isso não seria apenas “errado”, seria maldade. No caso do médico, seria um má práxis, um erro médico, ele perderia seu diploma, pelo menos nos EUA onde isso é cuidado melhor.
Por fim, não estamos discutindo criminalizar a droga, pois isso ela já o é. Estamos discutindo legalizar seu consumo. Do ponto de vista moral, portanto, a pergunta anterior a legislar é: “no contexto de um país com uma epidemia de drogas, a oferta hoje não livre de entorpecentes para os dependentes, deve ser oficialmente mudada para ad libitum?” (considerando que o ad libitum aqui é morrer). Acho que isso não é muito humano nem nada moral. Acho que isso é um crime, mas quem tem que achar é o povo que vai votar um referendum sobre a legalização das drogas, ou seus representantes no legislativo.

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